A idéia de lançar este livro nasceu em 1997. Após mais de dez anos de pesquisas e entrevistas com professores de Karatedō de vários países e de perceber muitas linhas diferentes de pensamentos, José Aguiar chegou à conclusão de que, apesar da multiplicidade de estilos verificada, a prática do Karatedō tem a mesma origem e objetivos em comum: polir a técnica, desenvolver o intelecto e preservar o espírito de humildade.
Apresentando histórias, procedimentos e concepções do Karatedō moderno – sem esquecer-se de apontar as origens históricas desta Arte Marcial – este livro reúne principalmente uma gama de informações a respeito do estilo fundado pelo mestre Kenwa Mabuni: o Shitōryū. Assim, percorrem-se todas as bases utilizadas, com explicações detalhadas e os dois Shitei-gata, dentro dos padrões exigidos pela WKF – World Karate Federation, em fotos ilustrativas, além de sugerir dicas para atletas e treinadores.
Atuando há mais de vinte anos no Karatedō Shitōryū, José Aguiar estudou Educação Física na Universidade Ibirapuera, fez parte da Seleção Brasileira de Karate e ministrou aulas de Arte Marcial no México e nos Estados Unidos da América. Com experiência internacional, que lhe foi passada pelos mestres Rubén Canedo (Seiden-kai), Fumio Demura (Genbu-kai), Kiyoshi Yamazaki (Ryōbu-kai), Tomohiro Arashiro (Ryūei-ryū), entre outros, prepara atletas de Kata de alto rendimento no Brasil.
"Somente é faixa preta aquele que, sem preconceitos, busca o conhecimento e procura fazer dele uma prática diária; Somente é faixa preta aquele que respeita a sabedoria eterna, seu mestre, seus companheiros de treinamento, sua família e todos seus semelhantes; Somente é faixa preta aquele que busca harmonizar sua personalidade efêmera deixando desta forma transparecer, ainda que de forma distorcida, a beleza de sua alma; Somente é faixa preta aquele que dedica sua vida para ensinar o pouco que sabe aos outros, através seu próprio exemplo; Somente é faixa preta aquele que no meio da confusão moderna ouve a voz da sua consciência e se mantém fiel aos valores que moveram, movem e sempre moverão os grandes guerreiros; ou como está descrito na frase de alguém cujo nome não me recordo, mas que jamais esquecerei as palavras: 'Ser um autêntico faixa preta não é ser mais, mas se tornar menos. Menos agressivo, menos vaidoso, menos autoritário, menos cobiçoso, menos invejoso, menos egoísta, menos apegado, menos ignorante, menos violento, menos...'” (ANDRETTA, Denis).
"Não basta ter socos, chutes e bloqueios fortes, precisamos também ter princípios fortes; Não basta falar de coisas boas, precisamos e devemos praticá-las; Não basta coragem para o combate é preciso coragem para enfrentar a grande luta da vida, onde os desafios são diários; Não basta dominarmos nosso corpo e achar que isto é suficiente para merecer uma faixa preta, devemos tornar “faixa preta” nossa consciência e nosso coração, pois agindo desta forma pouco importará qual a cor da faixa que ostentamos na cintura... Todo o praticante deveria fazer aumentar junto com sua graduação também as suas virtudes, para que venha a se tornar uma pessoa de moral, de bom caráter." (ANDRETTA, Denis).
"...Praticar uma arte marcial é praticar a arte de viver; é procurar ser um pouco melhor a cada dia; é buscar dentro de nós mesmos um ideal pelo qual lutar; é dar um pouco de nós para aqueles com quem convivemos; é compreender as limitações alheias e respeitá-las; é aprender a conviver com aqueles que tem idéias diferentes das nossas; é procurar ver em todos os seres um irmão; é conduzir nossas ações com humildade, dignidade e honra. Pois desta forma, estaremos nos tornando verdadeiros artistas marciais, verdadeiros homens, verdadeiros guerreiros, verdadeiros seres humanos, verdadeiros..." (ANDRETTA, Denis).