O Shitōryū é um dos quatro estilos mais importantes de Karatedō e um dos mais praticados em todo o mundo atualmente, inclusive no Japão.
Foi fundado pelo mestre Kenwa Mabuni (1889-1952) em meados dos anos 30. Depois da morte de Kenwa Mabuni seus principais discípulos formaram diversas escolas ou organizações de acordo com seus próprios critérios técnicos e expandiram o Shitōryū por todo o planeta. Portanto, hoje existem escolas deste estilo em praticamente todos os países do mundo.
O Shitōryū se diferencia dos demais estilos de Karatedō, entre outras coisas, pela grande quantidade de técnicas e Kata – formas pré-estabelecidas. Se levarmos em conta as diferentes linhas praticadas atualmente existem mais de 70 Kata de mãos vazias.
Outra tradição do estilo é ensino do Kobudō (“antiga arte marcial” de Okinawa), onde também contamos com uma grande variedade de Kata e o manejo de uma grande quantidade de armas, tais como: Bō, Sai, Tonfa, Nunchaku, Kama, etc…
Tudo isto se deve as várias influências que o fundador do Shitōryū recebeu, já que pode aprender com os melhores expoentes das artes marciais do seu tempo.
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Referências:
MACHADO, Javier Alejandro Fernando. Que es el Karatedō Shitōryū? Santa Fé Marcial – La web de Artes Marciales. Disponível em: www.santafemarcial.com.ar. Acesso em: 4 de Maio de 2008.
Quase todos os estilos ou escolas de Karatedō que existem hoje derivam de quatro estilos de considerados “Tradicionais”, e que foram fundados em épocas muito próximas, são eles:
- Gōjū-ryū, idealizado por Chōjun Miyagi;
- Shitō-ryū, fundado por Kenwa Mabuni;
- Shōtōkan, criado por Gichin Funakoshi;
- Wadō-ryū, elaborado por Hironori Ōtsuka.
Devemos recordar que quase todos estes mestres foram alunos, por sua vez, dos mesmos mestres, e que todos eles viveram em uma época em que não havia política no Karatedō. Portanto, foram companheiros de treinamento e tiveram a oportunidade de trocar técnicas e teorias num clima de ajuda mútua visando simplesmente o engrandecimento da Arte das Mãos Vazias.
Contudo, naquela época o Karatedō não era conhecido por este nome, mas sim como Tō-de e os estilos eram conhecidos pelo nome do lugar onde eram praticados, seguidos da palavra “Te” (mão/técnica). Desta forma, se distinguiam três ramos principais:
- Shuri-te: “Técnica de Shuri”. Shuri era a cidade onde estava a Corte Real;
- Naha-te: “Técnica de Naha”. Naha era o Porto Comercial de Okinawa;
- Tomari-te: “Técnica de Tomari”. Tomari era um bairro de imigrantes chineses.
Com o passar do tempo, o Tomari-te foi absorvido pelo Shuri-te originando o Shōrin-ryū e o Naha-te passou a ser conhecido como Shōrei-ryū, ficando apenas estes dois ramos como principais. Cada um destes ramos tinha um mestre que era um especialista em suas técnicas e com quem aprenderam os professores que posteriormente fundariam os quatro estilos de Karatedō Tradicionais anteriormente citados.
O Shuri-te/Tomari-te ou Shōrin-ryū era ensinado pelo mestre Ankō Itosu, que transmitiu seus conhecimentos para Kenwa Mabuni (fundador do Shitō-ryū), para Gichin Funakoshi (fundador do Shōtōkan), entre outros renomados mestres.
O Naha-te ou Shōrei-ryū era ensinado pelo mestre Kanryō Higaonna que teve como discípulos Kenwa Mabuni e Chōjun Miyagi (fundador do Gōjū-ryū), entre outros.
Como podemos observar, Kenwa Mabuni teve a oportunidade de aprender o Tō-de (Karatedō) com os dois mestres mais importantes de sua época, cada um em seu estilo. Por este motivo, o Shitō-ryū é o único estilo que combina as características dos três principais ramos entre si. Devido a isto, é o único estilo de Karatedō que possui as características de todos os demais, o que se pode ver refletido na grande variedade técnica e na enorme quantidade de Kata que possui.
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Referências:
MACHADO, Javier Alejandro Fernando. El Shitō-ryū es un estilo de Karatedō tradicional? Santa Fé Marcial – La web de las Artes Marciales. Disponível em: www.santafemarcial.com.ar. Acesso em: 4 de Maio de 2008.
A idéia de lançar este livro nasceu em 1997. Após mais de dez anos de pesquisas e entrevistas com professores de Karatedō de vários países e de perceber muitas linhas diferentes de pensamentos, José Aguiar chegou à conclusão de que, apesar da multiplicidade de estilos verificada, a prática do Karatedō tem a mesma origem e objetivos em comum: polir a técnica, desenvolver o intelecto e preservar o espírito de humildade.
Apresentando histórias, procedimentos e concepções do Karatedō moderno – sem esquecer-se de apontar as origens históricas desta Arte Marcial – este livro reúne principalmente uma gama de informações a respeito do estilo fundado pelo mestre Kenwa Mabuni: o Shitōryū. Assim, percorrem-se todas as bases utilizadas, com explicações detalhadas e os dois Shitei-gata, dentro dos padrões exigidos pela WKF – World Karate Federation, em fotos ilustrativas, além de sugerir dicas para atletas e treinadores.
Atuando há mais de vinte anos no Karatedō Shitōryū, José Aguiar estudou Educação Física na Universidade Ibirapuera, fez parte da Seleção Brasileira de Karate e ministrou aulas de Arte Marcial no México e nos Estados Unidos da América. Com experiência internacional, que lhe foi passada pelos mestres Rubén Canedo (Seiden-kai), Fumio Demura (Genbu-kai), Kiyoshi Yamazaki (Ryōbu-kai), Tomohiro Arashiro (Ryūei-ryū), entre outros, prepara atletas de Kata de alto rendimento no Brasil.
"Somente é faixa preta aquele que, sem preconceitos, busca o conhecimento e procura fazer dele uma prática diária; Somente é faixa preta aquele que respeita a sabedoria eterna, seu mestre, seus companheiros de treinamento, sua família e todos seus semelhantes; Somente é faixa preta aquele que busca harmonizar sua personalidade efêmera deixando desta forma transparecer, ainda que de forma distorcida, a beleza de sua alma; Somente é faixa preta aquele que dedica sua vida para ensinar o pouco que sabe aos outros, através seu próprio exemplo; Somente é faixa preta aquele que no meio da confusão moderna ouve a voz da sua consciência e se mantém fiel aos valores que moveram, movem e sempre moverão os grandes guerreiros; ou como está descrito na frase de alguém cujo nome não me recordo, mas que jamais esquecerei as palavras: 'Ser um autêntico faixa preta não é ser mais, mas se tornar menos. Menos agressivo, menos vaidoso, menos autoritário, menos cobiçoso, menos invejoso, menos egoísta, menos apegado, menos ignorante, menos violento, menos...'” (ANDRETTA, Denis).
"Não basta ter socos, chutes e bloqueios fortes, precisamos também ter princípios fortes; Não basta falar de coisas boas, precisamos e devemos praticá-las; Não basta coragem para o combate é preciso coragem para enfrentar a grande luta da vida, onde os desafios são diários; Não basta dominarmos nosso corpo e achar que isto é suficiente para merecer uma faixa preta, devemos tornar “faixa preta” nossa consciência e nosso coração, pois agindo desta forma pouco importará qual a cor da faixa que ostentamos na cintura... Todo o praticante deveria fazer aumentar junto com sua graduação também as suas virtudes, para que venha a se tornar uma pessoa de moral, de bom caráter." (ANDRETTA, Denis).
"...Praticar uma arte marcial é praticar a arte de viver; é procurar ser um pouco melhor a cada dia; é buscar dentro de nós mesmos um ideal pelo qual lutar; é dar um pouco de nós para aqueles com quem convivemos; é compreender as limitações alheias e respeitá-las; é aprender a conviver com aqueles que tem idéias diferentes das nossas; é procurar ver em todos os seres um irmão; é conduzir nossas ações com humildade, dignidade e honra. Pois desta forma, estaremos nos tornando verdadeiros artistas marciais, verdadeiros homens, verdadeiros guerreiros, verdadeiros seres humanos, verdadeiros..." (ANDRETTA, Denis).