Sensei Aguiar, Shihan Canedo & Professor Andretta.
Realizou-se nos dias 23 de 24 de Agosto de 2008 nas instalações do SESC Pompéia, sito a Rua Clélia, 93 – São Paulo/SP, o Seminário Internacional de Karatedō Shitōryū organizado pelo Professor José Aguiar, representante oficial da Seiden-kai International Karatedo and Kobudo Association no Brasil.
O seminário foi ministrado pelo Shihan Rubén Canedo, 6º Dan em Karatedō Shitōryū , Membro da Comissão Técnica da PKF – Panamerican Karate Federation e Membro da Comissão Técnica da WKF – World Karate Federation.
O evento foi aberto no Sábado às 09h30min com o treinamento direcionado as crianças, onde uma abordagem lúdica foi demonstrada. Logo os adultos foram convidados a formar parte da classe. O Shihan Rubén Canedo enfatizou o trabalho de exercícios básicos (kihon) e explanou sobre a importância do relaxamento, do equilíbrio e da explosividade para a realização de uma técnica efetiva.
Prof. Denis Andretta & Shihan Ruben Canedo.
Encerrado o trabalho de kihon passou-se a execução dos Shitei-gata, bem como seus respectivos bunkai. Primeiramente foi ensinado o kata Bassai Dai e logo após o kata Seienchin.
No período de transição entre o treinamento dos kata o Shihan Rubén Canedo aproveitou para explicar a importância de alguns conceitos, tais como: Atemi e Zanshin. Também palestrou sobre a origem dos kata em questão, discorreu a propósito da origem do Karatedô e das linhagens antigas que originaram o Shitōryū, o Gōjūryū e o Shōtōkan, falou a respeito da influência filosófica e o sobre o equilíbrio que deve haver entre o “esporte” e o “Dō”. Também destacou a importância de não nos fecharmos em nosso próprio estilo, citando o exemplo da xícara vazia para elucidar o tema.
À noite, prestigiamos lançamento do livro Karate Shitōryū que é resultado de mais de dez anos de pesquisas realizadas pelo Sensei José Aguiar em alguns países da América do Sul, no México e nos Estados Unidos. O livro aborda a história do Karatedō, os principais mestres desta Arte Marcial, a história do estilo Shitōryū, os kata, entrevistas e dicas sobre trabalho com crianças e preparação física.
Sensei Aguiar autografando o livro Karate Shitōryū .
No Domingo o seminário foi retomado às 11h00min e o trabalho de um Tokui-gata foi enfatizado. O kata escolhido desta vez foi o Pāchū, forma que não pertence ao estilo Shitōryū , mas sim ao estilo Ryūeiryū. Após explanação sobre a origem deste estilo de Karatedō, suas características e particularidades o Shihan Rubén Canedo ensinou a versão original e o bunkai deste kata.
Todo seminário transcorreu em clima muito bom, onde os presentes puderam testemunhar a perícia técnica e o conhecimento do Shihan Rubén Canedo, comprovando o porquê sua carreira de competidor e técnico possui tantos êxitos. No entanto, o que também nos chamou a atenção durante o seminário foi a forma bem humorada e a humildade do mestre Rubén Canedo, postura que nos impele a afirmar que é realmente merecedor do título que ostenta: Shihan, ou seja, .”um mestre que é um exemplo a ser seguido”.
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Referências:
ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro. Minhas Reflexões: Seminário Internacional de Karatedō Shitōryū. Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Agosto de 2008.
"Somente é faixa preta aquele que, sem preconceitos, busca o conhecimento e procura fazer dele uma prática diária; Somente é faixa preta aquele que respeita a sabedoria eterna, seu mestre, seus companheiros de treinamento, sua família e todos seus semelhantes; Somente é faixa preta aquele que busca harmonizar sua personalidade efêmera deixando desta forma transparecer, ainda que de forma distorcida, a beleza de sua alma; Somente é faixa preta aquele que dedica sua vida para ensinar o pouco que sabe aos outros, através seu próprio exemplo; Somente é faixa preta aquele que no meio da confusão moderna ouve a voz da sua consciência e se mantém fiel aos valores que moveram, movem e sempre moverão os grandes guerreiros; ou como está descrito na frase de alguém cujo nome não me recordo, mas que jamais esquecerei as palavras: 'Ser um autêntico faixa preta não é ser mais, mas se tornar menos. Menos agressivo, menos vaidoso, menos autoritário, menos cobiçoso, menos invejoso, menos egoísta, menos apegado, menos ignorante, menos violento, menos...'” (ANDRETTA, Denis).
"Não basta ter socos, chutes e bloqueios fortes, precisamos também ter princípios fortes; Não basta falar de coisas boas, precisamos e devemos praticá-las; Não basta coragem para o combate é preciso coragem para enfrentar a grande luta da vida, onde os desafios são diários; Não basta dominarmos nosso corpo e achar que isto é suficiente para merecer uma faixa preta, devemos tornar “faixa preta” nossa consciência e nosso coração, pois agindo desta forma pouco importará qual a cor da faixa que ostentamos na cintura... Todo o praticante deveria fazer aumentar junto com sua graduação também as suas virtudes, para que venha a se tornar uma pessoa de moral, de bom caráter." (ANDRETTA, Denis).
"...Praticar uma arte marcial é praticar a arte de viver; é procurar ser um pouco melhor a cada dia; é buscar dentro de nós mesmos um ideal pelo qual lutar; é dar um pouco de nós para aqueles com quem convivemos; é compreender as limitações alheias e respeitá-las; é aprender a conviver com aqueles que tem idéias diferentes das nossas; é procurar ver em todos os seres um irmão; é conduzir nossas ações com humildade, dignidade e honra. Pois desta forma, estaremos nos tornando verdadeiros artistas marciais, verdadeiros homens, verdadeiros guerreiros, verdadeiros seres humanos, verdadeiros..." (ANDRETTA, Denis).